Califa apela ao mundo para restringir o comércio de armas e exorta ao diálogo

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Por alislam Março 27, 2017 20:00

O CHEFE SUPREMO DA COMUNIDADE ISLÂMICA AHMADIA APELA AO MUNDO PARA RESTRINGIR O COMÉRCIO DE ARMAS E EXORTA AO DIÁLOGO ENTRE AS NAÇÕES

27 DE MARÇO DE 2017  – COMUNICADO DE IMPRENSA

“Em vez de erguer muros que nos separem, devemos construir pontes que nos possam aproximar” – Hadrat Mirza Masroor Ahmad

No dia 25 de março de 2017, o Chefe Supremo e o Quinto Califa  da Comunidade Islâmica Ahmadia Internacional, Sua Santidade, Hadrat Mirza Masroor Ahmad, proferiu o discurso principal no 14º Simpósio Nacional da Paz, organizado pela Comunidade Islâmica Ahmadia do Reino Unido.

O evento realizou-se na Mesquita Baitul Futuh, em Londres, com uma audiência superior a 1000 pessoas, oriundas de 30 países, incluindo mais de 600 convidados não-Ahmadianos, entre os quais Ministros do Governo, Embaixadores de Estado, Membros de ambas as Câmaras do Parlamento e vários outros dignitários e convidados.

Durante o evento, Sua Santidade conferiu à Sra. Setsuko Thurlow, uma sobrevivente da bomba atómica lançada sobre Hiroxima e ativista de paz, Prémio da Comunidade Islâmica Ahmadia para a Promoção da Paz, em reconhecimento dos seus esforços extraordinários para fazer campanha de desarmamento nuclear.

Durante seu discurso, Sua Santidade condenou o ataque terrorista ocorrido na semana passada em Londres e classificou-o de “uma atrocidade bárbara” e rotulou todas as formas de extremismo e terrorismo como uma completa violação dos ensinamentos islâmicos.

Além disso, Sua Santidade expressou a sua profunda tristeza pela guerra contínua no mundo muçulmano, e manifestou o seu receio pela tensões crescentes no resto do mundo. Sua Santidade também apelou às potências mundiais para restringir a venda de armas.

Referindo-se ao ataque de quarta-feira passada em Westminster, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Em primeiro lugar, gostaria de expressar as minhas profundas condolências a todos os afetados pelo ataque terrorista de quarta-feira em Westminster. Neste momento trágico, os nossos pensamentos e orações estão com todo o povo de Londres. Em nome da Comunidade Islâmica Ahmadia, quero declarar categoricamente que condenamos todos os atos de terrorismo e apresentamos as nossas sinceras e profundas simpatias às vítimas desta atrocidade bárbara.”

Sua Santidade disse que é extremamente lamentável que grupos extremistas islâmicos transformaram certas Mesquitas e Madraças em “centros de extremismo”, o que alimentou os receios e equívocos sobre o islamismo entre os não-muçulmanos. Em contraste com isso, Santidade disse que uma parte inerente da adoração de Deus é servir a humanidade e viver pacificamente com o povo de todas as fés e crenças.

Com base nesses ensinamentos islâmicos, a Comunidade Islâmica Ahmadia estabeleceu projetos humanitários em várias partes do mundo, cada um está a servir a humanidade e trazer alívio para aqueles que são necessitados.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Nós estabelecemos hospitais, escolas e faculdades que estão a providenciar cuidados de saúde e educação para algumas das zonas mais pobres e remotas do mundo. Não procuramos ser elogiados por essas atividades, o nosso único desejo é ajudar essas pessoas a andar com os seus próprios pés para que possam cumprir as suas esperanças e aspirações e, portanto, possam viver satisfatoriamente com dignidade e liberdade.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou:

“Desta forma, em vez de eles ficarem frustrados e propensos ao extremismo, tornar-se-ão cidadãos responsáveis ​​e fiéis das suas nações. Onde eles se desenvolverão pessoalmente, e também ajudarão as suas nações a progredirem e inspirarão os outros a seguirem os seus passos.”

Sua Santidade disse que apesar dos ensinamentos islâmicos serem categóricos em rejeitar os ataques indiscriminados ou assassinatos, muitas pessoas associaram o islamismo à violência ou à guerra.

Contrariando a narrativa dos extremistas, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Não importa o que os terroristas afirmam, sob nenhuma circunstância os ataques indiscriminados ou assassinatos podem ser justificados. O Islão consagrou a santidade da vida humana no versículo 33 do capítulo 5, do Sagrado Al-Corão, que afirma: ‘Quem matar uma pessoa – será como se tivesse matado toda a humanidade; e aquele que dar vida a uma pessoa – será como se tivesse dado vida a toda a humanidade’.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou:

“O Islão é aquela religião que sempre consagrou os princípios universais de liberdade de religião, liberdade de consciência e liberdade de crença. Portanto, se hoje há tão falados grupos muçulmanos ou seitas que estão a matar pessoas, isto só pode ser condenada nos termos mais fortes possíveis. Os seus atos bárbaros são uma completa violação de tudo o que o Islão representa.”

Sua Santidade também falou sobre certos indivíduos ou grupos entre os não-muçulmanos que “estão a pôr lenha na fogueira da divisão e da hostilidade” e citou um artigo de Política Externa que descreveu a islamofobia como uma ‘indústria’ em si mesma. Sua Santidade apelou aos líderes mundiais que falassem com sabedoria e integridade em todos os momentos.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Infelizmente, muitas vezes ouvimos políticos e líderes a fazer declarações inflamadas desnecessariamente, que não estão comprometidas com a verdade, mas sim com os seus próprios interesses políticos.”

Sua Santidade rejeitou a alegação levantada por certas figuras proeminentes de que o Sagrado Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) massacrou aqueles que não aceitaram o Islão. Ele disse que o Fundador do Islão (que a paz esteja com ele) só lutou como um último recurso para defender a instituição da religião e para estabelecer o princípio da liberdade universal da religião.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“A alegação de que o Sagrado Profeta (que a paz esteja com ele) era um líder beligerante ou um belicista é uma injustiça e crueldade da maior gravidade e tais afirmações falsas só podem magoar os corações dos milhões de muçulmanos pacíficos em todo o mundo. A história testemunha o facto de que com cada fibra do seu ser, o Profeta do Islão (que a paz esteja com ele) procurou estabelecer a paz e a reconciliação.”

Sua Santidade também disse que há alguns jornalistas e personalidades proeminentes que “estão a nadar contra a maré de falsidade”, escrevendo sobre o Islão com justiça e integridade, e citou Ruth Cranston, uma autora proeminente do século 20, que escreveu no livro World Faith de 1949: “Muhammad nunca instigou o combate e derramamento de sangue. Cada batalha que ele lutou foi em refutação. Ele lutou defensivamente para sobreviver.”

Sua Santidade também elogiou a resposta da Primeira-Ministra, Theresa May após o ataque de Westminster.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Gostaria também de aplaudir a nossa Honorável Primeira-Ministra por citar alguns versículos do Sagrado Al-Corão e condenar certas acusações que foram levantadas contra os ensinamentos islâmicos.”

Falando sobre uma das causas do extremismo, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse que vários relatórios sugeriram que alguns jovens muçulmanos foram radicalizados porque sentiram que as suas crenças religiosas tinham sido escarnecidas e ridicularizadas no mundo ocidental.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Isso não justifica de forma nenhuma e nem lhes serve de desculpa. Eles serão considerados culpados e responsáveis ​​pelas suas ações. No entanto, o senso comum diz que não devemos pôr mais lenha na fogueira. Pelo contrário, devemos procurar a compreensão mútua, respeitar as crenças dos outros e tentar encontrar os pontos comuns.”

Sua Santidade referiu o “princípio áureo na causa da paz” mencionado no versículo 65 do capítulo 3, do Sagrado Al-Corão, que encoraja as pessoas a concentrarem-se nas crenças que as unem, afirmando: “Vinde a uma palavra igual entre nós e vós”.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Assim, o Sagrado Al-Corão ensinou-nos como construir uma sociedade multicultural e pacífica, onde pessoas de todas as fés e crenças possam viver lado a lado. Os ingredientes-chave são o respeito mútuo e a tolerância.”

Referindo-se ao tema do Simpósio da Paz de 2017, “Conflitos Globais e Necessidade de Justiça”, Sua Santidade disse que a falta de justiça “atormentou todos os segmentos da sociedade” e que, embora seja inegável que hoje certos países islâmicos estão no “epicentro de guerras e crueldades”, é errado dizer que o resto do mundo está imune à desordem.

Sua Santidade citou inúmeros relatórios que indicam a crescente tensão nas relações entre os Estados Unidos e a China, assim como entre os Estados Unidos e a Rússia.

Falando sobre a necessidade de a humanidade se reunir, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Neste momento, é necessário derrubarmos as barreiras de medo que nos dividem. Em vez de erguer muros que nos separam, devemos construir pontes que nos aproximem … Devemos levantar-nos contra todas as formas de opressão, ódio e devemos usar todas as nossas capacidades para tentar promover a paz no mundo.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou:

“Infelizmente, com o passar do tempo, parece que estamos a  perder a nossa capacidade de ouvir e tolerar as opiniões e perspetivas opostas. Abrir os canais de comunicação e facilitar o diálogo é essencial, caso contrário, o mal-estar do mundo só vai aprofundar-se … Em vez de apontar os dedos e culpar uns aos outros, este é o momento de encontrar soluções.”

Depois disso, Sua Santidade condenou o comércio internacional de armas, que, segundo ele, é um meio para alimentar a guerra e assegurar que o mundo permaneça vinculado dentro de um ciclo perpétuo de violência.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Na minha opinião, há uma solução pronta que pode ter um impacto imediato e pode iniciar o processo de cura do mundo. Refiro-me ao comércio internacional de armas, que creio que deve ser controlado e restringido.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou:

“Apesar do facto de que o interesse principal de cada nação deve ser o bem-estar da humanidade e alcançar a paz, é uma triste verdade que os interesses dos negócios e a busca da riqueza invariavelmente tenham prioridade sobre tais preocupações.”

Sua Santidade considerou o argumento de que a venda de armas pode ‘encorajar’ a paz trabalhando como um ‘dissuasor’ “completamente insensato” e disse que tais justificações “causaram o mundo a envolver-se numa corrida armamentista sem fim”. Ele também disse que nenhuma nação deve pensar que está “imune ao perigo” porque a história ensinou que as guerras “evoluíram rapidamente e muitas vezes inesperadamente”.

Sua Santidade advertiu sobre os riscos da guerra nuclear, que ele descreveu como “inimagináveis” e exortou a humanidade a refletir longa e profundamente sobre o tipo de mundo que deseja legar às gerações futuras.

Falando das consequências potenciais de uma outra guerra mundial, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Em vez de deixar para trás um legado de prosperidade para as nossas gerações vindouras, seremos então culpados de deixar para trás apenas tristeza e desespero. O nosso dom para o mundo será uma geração de crianças deficientes, nascidas com defeitos e deficiências intelectuais. Quem sabe se os seus pais sobreviverão para alimentá-las e cuidar delas?”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou:

“Lembrem-se sempre de que, se tentarmos perseguir os nossos próprios interesses a qualquer custo, então os direitos dos outros serão usurpados e isso só pode levar a conflitos, guerras e miséria. Devemos todos refletir e entender o precipício sobre o qual estamos firmes.”

Concluindo, Hadrat Mirza Masroor Ahmad orou:

“A minha mensagem para o mundo é olhar para amanhã, e não apenas para hoje. Devemos deixar para trás um legado de esperança e oportunidade para os nossos filhos, em vez de sobrecarregá-los com as terríveis consequências dos nossos pecados.”

Sua Santidade continuou:

“Oro para que Deus conceda senso às pessoas do mundo e que as pesadas nuvens que pairam sobre nós deem lugar a um futuro brilhante e próspero.”

Antes do discurso principal, vários dignitários falaram sobre a importância da paz e do estado crítico do mundo de hoje.

Sr. Rafiq Hayat, Presidente Nacional da Comunidade Islâmica Ahmadia do Reino Unido, apresentou as suas condolências às vítimas do ataque de Westminster e prestou homenagem ao guarda-principal, Sr. Keith Palmer que sacrificou a sua vida para defender a democracia do país.

Sr. Silvio Danio, Diretor Executivo das Religiões pela Paz, da Itália, disse:

“Quero agradecer-lhe,Vossa Santidade, de uma forma muito especial, porque ouvindo muitas vezes as vossas palestras e muitas intervenções em muitas partes do mundo, Vossa Santidade não só foi um promotor, não apenas um criador do que realmente precisamos hoje, que é uma cultura de diálogo, também foi um campeão disso,  Vossa Santidade é um exemplo.”

Sra. Setsuko Thurlow, recebedora do Prémio da Comunidade Islâmica Ahmadia para a Promoção da Paz, disse:

“Na tentativa de aprender sobre a história da vossa organização, missão e atividades, vim a conhecer com dor, da vossa luta e sofrimento por discriminação religiosa e perseguição. No entanto, apesar disso, escolheram os princípios da não-violência, da paz e da justiça e exemplificaram-nos nas vossas vidas quotidianas através do vosso lema de amor a todos e ódio a ninguém. Que modelo ilustre vocês são para a comunidade mundial.”

Além disso, Padre David Standley, representando o Arcebispo de Southwark, leu uma mensagem do Vaticano em apoio ao Simpósio da Paz.

O evento terminou com a oração silenciosa dirigida por Sua Santidade.

Tanto antes como depois do evento, Sua Santidade reuniu-se pessoalmente com vários dignitários e convidados e também realizou uma conferência de imprensa com os membros dos media.

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Sermão de Sexta-Feira do Califa

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